terça-feira, julho 05, 2005

Dona Sueli, o queijo e a nutela e a gangue do chicão

Venho vivendo dias de paparicação. Dona Sueli, minha mãe, que desembarcou aqui no sábado, é a maior responsável por isso. Atendeu ao meu pedido e trouxe, na bagagem, alguns quilos de queijos que eu não comia há mais de um ano: queijo manteiga e queijo coalho. Este último até que tem por aqui e também tinha no Rio. Mas nada se compara àquele que é feito no Nordeste, salgadinho e perfumado e que, quando assado, não derrete completamente. Mas o meu preferido é o queijo manteiga. Super macio, amarelão, quentinho e gorduroso. Tudo o que não presta reunido num só produto. Bilhões de calorias — uma delícia incomparável. Criei até uma novidade. Num dia desses, quando eu, a Vivi e dona Sueli fazíamos uma boquinha noturna, despejei sobre algumas fatias do referido queijo generosas quantidades de nutela (para quem não conhece, uma pasta de chocolate à base de avelã). Dobrei as fatias ao meio e provei meu experimento. Resultado: S E N S A C I O N A L!!! Preciso patentear a descoberta.

***

Vocês lembram do episódio "Chicão, o vizinho cão" que narrei aqui? Pois é, queridos leitores, a gangue dele voltou a atacar. E muitas vezes, ainda que eu não tenha narrado aqui. Há algumas semanas, irritado com o barulho que eles promovem toda santa noite por lá, fui conversar com a síndica. Ela promoveu uma "acareação". Ficamos frente-a-frente eu e o filho do Chicão, que pediu desculpas e prometeu domesticar os irmãos (todos cavalões, nenhuma criança). Só durou uma semana. Na madrugada do domingo passado, às duas de la mañana, a Gangue do Chicão parecia estar possuída, ou ensaiando um número de sapateado bem em cima de nossos cabeções. Como devem ser péssimos dançarinos, arrastavam todos os móveis da casa. Um sofrimento. Nem mesmo depois de eu ter interfonado duas vezes a agonia parou. Quando amanheceu, peguei o "livro de ocorrências" e, em quase três páginas, mandei ver na mundiça. No fim, avisei: minha paciência acabou. Da próxima vez, chamo a polícia.
Quando estava tirando o carro da garagem, a síndica me chama. Diz que leu a mensagem e que conversou seriamente com a primeira-dama do reino de Chicão. Vocês acreditam que, segundo a síndica, a jabiraca-da-catraca-roxa ainda se deu ao direito de ficar chateada com a minha reclamação?? É ou não é muita cara-de-madeira? A sacripanta disse que os "filhinhos" dela estavam dormindo no horário que citei, e que o barulho provavelmente vinha de outro apartamento... Ah, vai tomar... Contei até 785 pra não dizer algumas palavrinhas que certamente deixariam a síndica constrangida, mas resolvi ponderar. Falei que o barulho não vinha de outro apartamento coisa nenhuma, e que, ao contrário do que a dissimulada disse, os animaizinhos dela não estavam dormindo porra nenhuma, pois eu mesmo olhei pela janela e vi que todas as luzes (inclusive a do quarto deles) estavam acessas. Além disso, o barulho era muito nítido no teto do nosso quarto para ser confundido com outro vindo de outro apartamento.
Bem, o fato é que, de domingo pra cá, o silêncio reina no império de El Chicon. Nada ouvimos do domingo pra segunda nem da segunda pra terça. Prova de que, quando eles querem, sabem se comportar. Ou se domesticar.

2 comentários:

Ana Cristina disse...

Wagner: Demorei a ler seu blog. mas o fiz no momento da crônica "Dona Sueli..." e adorei !Imagino a "corujice" e as gargalhadas.Sei das maravilhas do nosso queijo de manteiga, principalmete quando estamos ausentes. Continuo "curtindo", suas cronicas e serei mais frequente. Um abraço, Cristina. Seu relógio está no fuso horário? PS. sou a aluna de Sueli,em Natal.

Wagner Vasconcelos disse...

Oi, Cristina! Tudo bem? Que legal ter você por aqui também. Espero que continue visitando esse meu hospício cibernético!
Pois é, estou sendo muito paparicado, mas também tenho paparicado muito a dona Sueli.
Grande abraço,
Wagner