sexta-feira, julho 22, 2005

Music & Politics

A música e a política brasileiras talvez sejam os dois maiores fenômenos de nossa nação. Não que se igualem do ponto de vista da moralidade, da dignidade ou da ética. Na seara do bom comportamento, ambas estão em posições diametralmente opostas, como a cruz de nosso Senhor e o tridente de Belzebu.
Mas na esfera da genialidade e da criatividade, as duas vivenciam um paralelismo assombroso. Em termos musicais, os nossos letristas e arranjadores, não tenho dúvida, figuram entre os mais espetaculares deste planeta. A cada década — ainda que ultimamente vivamos uma certa entressafra de novos mestres —, temos trovadores que retratam de forma magnífica o sentimento e a realidade do país e sua gente.
No submundo político, os nossos representantes são mestres, mas na arte de fazer exatamente o oposto. Apenas surrupiam as aflições do povo para chegar ao pedestal. De lá, esbanjam mais astúcia é na arte de roubar.
Na versão online do Globo, há uma enquete para se escolher a música que mais se adequa ao momento vergonhoso que vivemos agora, ou melhor, ATÉ agora, já que não é de hoje que somos achincalhados.
As alternativas dadas pelo jornal passeiam de Bezerra da Silva, com sua hilária "É ladrão que não acaba mais", a Chico Buarque, com "Vai passar" e "Apesar de Você". De Ultraje a Rigor, com "Inútil", aos Paralamas do Sucesso, com "Luiz Inácio e os 300 picaretas". Ainda tem "Que País é Esse?", da minha idolatrada Legião Urbana, e "Aluga-se", de Raul Seixas, entre outras.
Fiquei encantado com outro fenômeno que descobri: apesar de algumas delas serem canções feitas há 10, 20, 30, e quase 40 anos, continuam correspondendo perfeitamente bem à sujeirada que nos rodeia.
E viva a bossa-sa-sa, viva a palhoça-ça-ça-ça-ça...

2 comentários:

Ita disse...

Prefiro a original dos Originais do Samba: "se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão".
Talvez não fique nem o Lula, pois ele pode correr assustado, sei lá.

Simplesmente já li quase tudo o que você escreveu! Adorei.

Beijinhos pra você, sua patroa e o Lupi. Qualquer dia desses eu conto pra ti as histórias da minha "filha", a Jade :)

Quando aparecer, avise!

Ita

Anônimo disse...

Quando li o que vc escreveu, soh uma musica veio a minha cabeca, e essa conhecemos muito bem por jah ter sido motivo de muito riso num quarto de hotel no Guaruja. Lembra???. Apesar de ser meio ridicula e ter sido embalada pelo riduculo grupo Domino, esta musica cabe muito bem ao momento politico que passados. La vai a versao remix com toque de Ruth Lemos!

To to to to to to to to P da vida vida vida
To to to to to to to to Vendo a gente gente gente tao pra baixo aixo aixo aixo.
Um baixo altral al al al um cambalacho lacho lacho lacho

Neildo