terça-feira, novembro 10, 2009

Vestida para matar!

Sei lá. Acho que tão abjeto quanto o falso moralismo é o verdadeiro moralismo. Claro que vocês já viram o caso da universitária de São Paulo agredida (em dimensões variadas) pelo fato de ter ido à aula com roupa de menos. Não vou entrar no mérito sobre a intenção da aluna ao vestir-se naqueles trajes para ir à faculdade. Mas, o que é inegável é que a reação dos alunos e da própria universidade mostram quão acesos estão em nossa sociedade o machismo e a ignorância.
Machismo porque, tenho certeza, deve haver severas restrições a indumentárias inapropriadas para as moçoilas. Mas, e para os marmajões? Será que os códigos de vestuário impediriam um parrudão de entrar (sem causar alvoroço) numa instituição de ensino com aquelas camisetas regatas no estilo "mamãe-quero-ser-forte"? Certamente que não. Agora, vá uma representante do sexo feminino usar um decote mais ousado ou uma saia menos avantajada. Lascou-se! Vai, no mínimo, ser chamada (ou olhada) como vagabunda.
A ignorância presente na questão é das três partes envolvidas no caso. Dos alunos - pela profunda demonstração de atraso mental ao reagir daquela forma por causa de uma roupa inadequada; da faculdade, por ter se precipitado na expulsão (já revista) sem ter apurado suficientemente bem a questão (e pela perda da oportunidade de travar um debate verdadeiramente educativo sobre o caso); e da aluna, que, embora tenha o direito de vestir-se como quiser, sabe muito bem que há lugares e lugares para exibir seus atributos físicos.
Fica a lição de que, na trajetória para atingirmos um patamar educacional pelo menos razoável, ainda estamos dando os primeiros passos. O problema é que eles têm sido trôpegos.

Um comentário:

Raquel Elena disse...

No final das contas, a moçoila conseguiu aparecer no Casseta & Planeta (17/11/09), a tão esperada pontinha na TV e seus minutinhos para reforçar sua fama agora internacional... ;-)